O Show em que Jimi Hendrix Queimou sua Guitarra

Conteúdo
Imagine o ano de 1967. O mundo fervia com protestos, hippies e uma revolução musical. Você está no meio de uma multidão de 100 mil pessoas em Monterey, na Califórnia, suando sob o sol escaldante do Festival Pop. De repente, as luzes piscam, e um cara magro com cabelo afro gigante sobe ao palco. Ele é Jimi Hendrix, um guitarrista quase desconhecido nos EUA, mas prestes a explodir tudo.
Essa é a história real do show em que Jimi Hendrix queimou sua guitarra – o momento que incendiou o rock para sempre.
O Cenário: Monterey Pop, o Berço do Verão do Amor
Era 18 de junho de 1967, no Monterey County Fairgrounds. O Monterey Pop Festival reunia lendas como The Who, Janis Joplin e Ravi Shankar. Mas Hendrix? Ele veio direto de Londres, onde já era sensação. Paul McCartney, dos Beatles, insistiu para que ele tocasse ali – um empurrão divino.
A multidão mal sabia o que esperar. Hendrix pegou sua Fender Stratocaster branca, conectou o amplificador Marshall e... o caos começou. Ele não tocava guitarra; ele a devorava. Dentes na corda, língua no braço do instrumento, efeitos de feedback que pareciam uivos de outro planeta.
Você consegue sentir o cheiro de suor e maconha no ar? Foi ali que o rock virou performance de circo.
O Clímax: Fogo, Fúria e uma Guitarra em Chamas
O set de Hendrix durou só 20 minutos, mas pareceu eterno. Ele abriu com "Killing Floor", um blues distorcido que fez as pessoas piscarem duas vezes. Depois veio "Foxy Lady" e "The Wind Cries Mary", hits que ele lapidou na Europa.
Mas o gran finale? Puro teatro. Inspirado pelo The Who – que minutos antes havia destruído seus instrumentos –, Hendrix quis ir além. Ele derramou gasolina (ou lighter fluid, como contam as lendas) na Stratocaster. Acendeu um fósforo. E então... bum! A guitarra virou uma tocha viva.
- Ele tocou enquanto as chamas lambiam o corpo do instrumento.
- Usou a guitarra flamejante para golpear o palco, criando faíscas voando para todo lado.
- No final, ergueu a cabeça flamejante como um troféu, enquanto "Wild Thing" ecoava nos alto-falantes.
A multidão enlouqueceu. Gritos, aplausos, choque. Roger Daltrey, do The Who, gritou do camarim: "Cara, isso é insano!". Mas Hendrix? Sorriu, como se dissesse: "Eu nasci pra isso".
Por Que Esse Momento Foi Revolucionário?
Não foi só um truque de palco. Jimi Hendrix queimando a guitarra em Monterey marcou a primeira vez que isso rolou em um grande festival. Antes, Pete Townshend quebrava, mas fogo? Isso era novo. Simbolizava a rebelião dos anos 60: queimar o velho para renascer das cinzas.
Resultado? Hendrix explodiu nos EUA. Seu álbum Are You Experienced vendeu milhões. Mas ele pagou caro: queimaduras nas mãos e uma guitarra destruída que hoje valeria fortunas.
Pergunte a qualquer roqueiro: esse show mudou tudo. Virou ícone no documentário Monterey Pop, visto por milhões.
Lições de um Ícone: O Legado de Hendrix Vive
Anos depois, Hendrix diria que foi um "acidente planejado". Ele queria chocar, conectar com a plateia de um jeito visceral. E conseguiu. Hoje, tributos recriam o momento em shows pelo mundo.


